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Ansiedade: quando tentar sentir-se melhor piora as coisas

Evitar alivia hoje e reforça a ansiedade amanhã. Porque o objetivo da terapia não é uma vida sem ansiedade.

Reut Peleg 25 de agosto de 2026 4 min de leitura

Nos últimos anos, a ansiedade tornou-se uma parte cada vez mais presente do meu trabalho clínico. Encontro-a com particular frequência entre os mais novos, mas dou por mim a notá-la também no dia a dia e nas pessoas à minha volta.

A ansiedade, em si, não é nova. Faz parte de sermos humanos e tem uma função importante. O que me parece diferente não é só a sua presença, mas a nossa relação com ela. Parece haver menos tolerância à incerteza, ao desconforto, ao erro e à possibilidade de as coisas não correrem como planeado. Pergunto-me se, no nosso esforço genuíno para que as pessoas se sintam mais seguras, compreendidas e apoiadas, não teremos também tornado o desconforto psicológico comum mais difícil de tolerar.

Penso nisto como psicóloga, mas também como mãe e como colega. Ao longo dos anos, passei a acreditar que a ansiedade em si muitas vezes não é o maior problema. A luta para não sentir ansiedade pode tornar-se um problema ainda maior. Quando a ansiedade passa a ser algo que tem de ser evitado, as pessoas começam, aos poucos, a organizar a vida à volta dela. Adiam decisões, evitam conversas difíceis, procuram ser tranquilizadas, verificam repetidamente, preparam-se em excesso ou analisam todos os desfechos possíveis.

Estas estratégias fazem sentido porque funcionam, pelo menos durante algum tempo. Evitar traz alívio. Ser tranquilizado reduz a incerteza. Verificar dá uma sensação de controlo. Mas o que reduz a ansiedade hoje pode reforçá-la amanhã. Cada vez que evitamos algo por ser demasiado desconfortável, perdemos a oportunidade de descobrir que talvez tivéssemos conseguido lidar com isso. Aos poucos, e muitas vezes sem darmos por isso, a ansiedade começa a tomar cada vez mais decisões por nós, e vemo-nos como cada vez menos capazes.

Este é um dos desafios da terapia. Peço muitas vezes a alguém que faça algo que, à partida, parece contraintuitivo: deixar de fazer da ausência de ansiedade uma condição para agir. Isto não significa gostar da ansiedade nem fingir que o sofrimento não importa. Significa aprender a tolerar alguma incerteza e algum desconforto, continuando a avançar na direção do que é importante.

Tenho-me interessado cada vez mais pela relação entre ansiedade e controlo. Muitas das pessoas ansiosas com quem trabalho são muito capazes. Antecipam problemas, planeiam com cuidado e assumem responsabilidades. Estas qualidades podem contribuir muito para o seu sucesso. A dificuldade surge quando o controlo deixa de ser uma estratégia útil e passa a ser uma necessidade.

  • Consigo lidar com isto se souber o que vai acontecer.
  • Tomo a decisão quando souber que é a certa.
  • Consigo descontrair quando souber que o meu filho está bem.

Mas a vida raramente dá estas garantias. A parentalidade tornou-me isto particularmente claro. Podemos preparar, proteger e apoiar os nossos filhos, mas não podemos (nem devemos) retirar a incerteza da vida deles, nem da nossa.

Fica-me uma pergunta que importa não só em terapia, mas também na parentalidade, na educação e no trabalho: quando devemos facilitar as coisas a alguém, e quando é que, ao fazê-lo, podemos estar sem querer a transmitir-lhe que não é capaz?

Não há resposta simples. O apoio importa. A compaixão importa. As adaptações podem ser essenciais. Mas também importa a experiência de descobrir: foi difícil, estive ansioso, e consegui. Ou: foi difícil, mas agora sei o que não fazer da próxima vez.

Penso que isto é especialmente importante para os mais novos. Precisamos de lhes dar segurança e apoio, mas também de os ajudar a descobrir que conseguem funcionar quando não se sentem completamente seguros, certos ou confortáveis.

Isto mudou as perguntas que faço em terapia. Em vez de perguntar apenas "Como podemos reduzir esta ansiedade?", interessa-me cada vez mais perguntar "O que é que esta ansiedade o está a impedir de fazer?"

Claro que quero que as pessoas com quem trabalho sofram menos. Existem intervenções psicológicas eficazes para a ansiedade, e reduzir os sintomas importa. Mas não acredito que o objetivo deva ser uma vida sem ansiedade.

A ansiedade aparece muitas vezes precisamente onde há algo que importa. As relações implicam a possibilidade de rejeição. As decisões implicam incerteza. Experimentar algo novo implica a possibilidade de falhar.

Por isso, para mim, um dos momentos com mais significado em terapia não é necessariamente ouvir: "Já não estou ansioso."

É ouvir:

Estava ansioso. E fiz na mesma.
→Próximo passo

Se este tema lhe diz alguma coisa, vamos conversar.

Este artigo está ligado ao serviço de acompanhamento psicológico. A primeira consulta serve para perceber o que precisa e definir o caminho.

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